29/06/2022 às 11h52min - Atualizada em 29/06/2022 às 11h52min

Ritual em cova de indígena morto em confronto com a polícia vai durar 7 dias

Moradores da retomada e também da Aldeia Amambai permanecem no local e mantêm ocupação

midiamax

Com o sepultamento do indígena Vitor Fernandes, de 42 anos, morto durante confronto com a Policia Militar de Mato Grosso do Sul na última sexta-feira (24), os indígenas da retomada Guapo’y Mirim Tujury, em Amambai, deram início ao ritual fúnebre.
As rezas devem durar 7 dias, segundo a tradição Guarani Kaiowá.

De acordo com informações das lideranças indígenas reunidas em Assembleia Aty Guassu, Vítor morreu em luta pela terra e seu espírito precisa descansar com todas as honras que são destinadas aos guerreiros.

“Morreu pelo seu povo e deve ser recebido pelos nossos ancestrais que tanto luram pela posse dessa terra”, disse uma professora que acompanha o ritual à reportagem do Midiamax.

Segundo Avá Apyká Rendy, um dos líderes ouvidos pela reportagem no dia do sepultamento, além do elevado significado espiritual para a comunidade, todo o ritual religioso é movido pela luta em defesa da terra. “Ele tombou aqui, neste lugar que consideramos a nossa terra e também dos nossos centrais e aqui ficaremos em defesa da sua memória e do seu povo”, afirma a liderança indígena.

“Somos Kaiowá, Guarani, legítimos da região desde a existência dessas terras. Quero informar que neste momento, quem nos acusa está mal informado a nosso respeito”, disse Rendy, ressaltado que os indígenas estão em vigília permanente durante esses dias que acontecem o ritual fúnebre.


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »