28/06/2022 às 12h11min - Atualizada em 28/06/2022 às 12h11min

Indígenas retomam ocupação de fazenda após enterro de índio

A Polícia Federal ao ser procurada para relatar o confronto disse que se tratava de um grupo isolado, e que seria competência do Governo Estadual e não dá PF. “o que está em risco não é uma comunidade indígena — esfera de atuação da PF, mas um grupo isolado, com objetivos diferentes dos da comunidade”.

midiamax

Após o enterro do indígena Vitor Fernandes, de 42 anos, nessa segunda-feira (27) depois de 40 horas de velório, indígenas voltaram a ocupar a fazenda palco do conflito em Amambai. As lideranças estavam à espera de representantes do MPF (Ministério Público Federal) e agentes da PF (Polícia Federal), mas nenhum integrante dos órgãos apareceu.

Segundo uma das lideranças indígenas, o grupo deve permanecer no local por tempo indeterminado. Ainda conforme informações apuradas pelo Jornal Midiamax, câmeras de segurança instaladas no galpão foram retiradas pelos índios e uma bandeira do Brasil foi colocada no lugar. Durante o velório, os indígenas relataram que estavam dispostos a morrer “pelo guerreiro”, se referindo a Vitor – morto no confronto.

Na fazenda não há representantes dos proprietários da área. Um grupo de seguranças que estava no local deixou a propriedade assim que os indígenas chegaram na fazenda para fazer o enterro de Vitor.

O enterro do indígena Vito Fernandes, de 42 anos, morto em conflito em área da Fazenda Borda da Mata, ocorreu em meio a lágrimas e revolta. A esposa dele, Assunciona Ximenes, de 36 anos, não parava de chorar e no momento que o caixão desceu por completo, em cova aberta pelos próprios indígenas, ela tentou se jogar no local, mas foi contida.
Pelo menos 500 indígenas acompanharam o sepultamento.

Enquanto os parentes se revezavam na abertura da cova, outros emitiram palavras de ordem, em guarani, chamando, ao que parece, os policiais de genocidas e indo em direção a armazém de grãos da propriedade, apedrejando o espaço e arrancando as câmeras de vigilância.

Gritos de guerra e de protesto também acompanharam a despedida de Vito, como “Território. Justiça. Demarcação”, assim como “Fora Bolsonaro”.
Um indígena da aldeia, ancião, disse que até a década de 70, a área onde hoje é a Borda da Mata, era de vegetação e parte da reserva indígena de Amambai, mas com o tempo, foi sendo desmatada e ocupada pelos brancos.

 


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