27/06/2022 às 19h46min - Atualizada em 27/06/2022 às 19h46min

Indígenas que foram presos após confronto com a PM passam por audiência de custódia e são soltos

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Nesta segunda-feira (27), duas mulheres indígenas de 22 e 63 anos e um homem, de 51 anos, moradores da aldeia  Amambai, passaram pela audiência de custódia. Presos em flagrante após o confronto na Fazenda Borda da Mata com a Polícia Militar, eles foram soltos no início desta tarde.

O boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Polícia Civil de Amambai dá detalhes sobre o confronto, que aconteceu após uma segunda invasão na fazenda. 

Para a Polícia Militar, foi solicitado ao Batalhão de Choque um apoio pela 3ª CIPM (Companhia Independente da Polícia Militar), com a informação de que indígenas armados teriam rendido os caseiros da fazenda. Sob ameaças, eles teriam obrigado os moradores a saírem da propriedade rural, abandonando todos os pertences.

Filmagens mostravam a fazenda já depredada e com focos de incêndio. Em uma primeira incursão, os militares teriam escutado os rojões, que anunciavam aos indígenas a chegada da polícia ao local. Ainda de acordo com relato dos militares, eles viram os indígenas e teriam sido surpreendidos com gritos e objetos arremessados.

Os policiais então agiram com gás lacrimogêneo, dispersando o grupo. Depois, encontraram uma barricada, feita com árvores e troncos cortados. “Equipe foi surpreendida com uma sequência de disparos de arma de fogo, além de armas artesanais, pedras, paus e flechas”, diz o registro.

Os disparos atingiram as pernas dos três policias militares do Choque, que foram socorridos e encaminhados ao hospital. Os militares então atiraram, segundo eles disparos de munições de elastômero, além do gás lacrimogêneo.

Já na manhã do sábado (25), foi repassado para a polícia a informação de que uma suposta liderança indígena teria cooptado indígenas estrangeiros para praticarem ‘crimes de terror e invasões’, sendo apontados como os responsáveis pela invasão à fazenda. Para isso, teriam sido adquiridas ao menos 5 armas de fogo.

Após o confronto, os suspeitos teriam fugido para a aldeia, levando as armas e os bens da fazenda. Há informação ainda de que um representante da Funais (Fundação Nacional do Índio) chegou a ser feito refém ao tentar negociar com o grupo indígena. As equipes policiais se mantiveram na região e a situação foi controlada.

Durante o confronto na tarde da sexta-feira (24), helicóptero da Casa Civil sobrevoou a região, levando apoio policial. A aeronave foi recebida a tiros, sendo que dois disparos atingiram o helicóptero.
Segundo os policiais militares, Vitor Fernandes era um dos indígenas que atirava contra a aeronave.

Ele foi atingido por disparos feitos por policiais, levado ao hospital, mas chegou na unidade já sem vida. O corpo do indígena é enterrado nesta segunda-feira, sob forte comoção de familiares, após aproximadamente 40 horas de velório.

Com ele, segundo a polícia, foi apreendido um revólver calibre 38, com 6 munições deflagradas.

Em um carro, um Corsa, foram encontradas mais armas de fogo também apreendidas, sendo espingardas calibre 28 e uma de calibre desconhecido (cano brocado). 

Todos os envolvidos vão responder pelos crimes de dano, violação de domicílio qualificada se praticada em período noturno ou emprego de arma ou por duas ou mais pessoas, homicídio tentado contra autoridade ou integrante da força nacional de segurança pública e também o porte ilegal de arma de fogo.

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) se pronunciou, pedindo relaxamento da prisão de três indígenas e ainda a liberdade do indígena de 51 anos. Isso, porque todos negaram envolvimento com a invasão e o confronto, dizendo que apenas estavam naquela região quando foram feridos.

Por falta de provas do envolvimento, os pedidos foram acatados na audiência de custódia. Além deles, adolescentes de 12, 14, 16 e 17 anos também foram apreendidos e depois liberados.


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