23/05/2019 às 07h17min - Atualizada em 23/05/2019 às 07h17min

Cinco são denunciados por fraudes em benefícios de indígenas

campograndenews
Um servidor da Funai (Fundação Nacional do Índio), empresários e funcionários de uma empresa de fornecimento de cestas de alimentos, além de um advogado, que não tiveram seus nomes divulgados, vão responder na Justiça Federal por fraudes previdenciárias e na obtenção de benefícios sociais de indígenas na região de Amambai.

O Rei das Cestas, empresa instalada em Amambai, já havia sido alvo da Operação Uroboros para investigar a retenção de cartões de benefícios dos índios, com a realização de saques, em julho de 2016, mesmo ano da denúncia aceita agora pela Justiça. 

 

Conforme despacho da 2ª Vara Federal de Ponta Porã, a denúncia por improbidade atinge um servidor da Funai que cooptaria indígenas –vítimas e coautores– para a consolidação das fraudes em documentos e seu envio ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para requerer "benefícios previdenciários e assistenciais" e contratar empréstimos consignados, conforme denunciou o MPF (Ministério Público Federal).

Ele também seria, ao lado da mulher, proprietário da Comercial Rei das Cestas, que vendia cestas básicas a indígenas e seria usada também para reunir as vítimas. Os suspeitos também reteriam os cartões de benefícios para realizar saques e vincular indígenas a dívidas perante o comércio.

Conforme o MPF, um advogado irmão do servidor receberia o encaminhamento dos casos fraudulentos que demandavam ação na Justiça para a concessão dos benefícios. Por fim, dois funcionários da Comercial Rei das Cestas foram acusados de ajudar os patrões na cooptação dos indígenas para a consolidação das fraudes e manter os indígenas vinculados ao estabelecimento.

 A Uroboros foi deflagrada em junho de 2016 pela Polícia Federal para investigar a Comercial Rei das Cestas, investigada pelo MPF para verificar a atuação de uma organização criminosa focada em crimes como corrupção passiva, falsidade documental e fraudes previdenciárias.

 O MPF identificou até o uso de crianças como se fossem filhos de indígenas já falecidos para a obtenção de pensão por morte, ajudando na obtenção de grandes valores retroativos à morte dos indígenas.

As fraudes teriam superado R$ 1 milhão de reais.


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