14/08/2018 às 06h11min - Atualizada em 14/08/2018 às 06h11min

Falece o engenheiro agrimensor Victor Anibal Delgado

amambainoticias/ Viviane Viaut Moreira

Faleceu na tarde desta segunda-feira, 13 de agosto de 2018, em Dourados, MS, o engenheiro agrimensor Victor Anibal Delgado, nascido em 15 de março de 1959.

Vave, como Vitor era conhecido, em 29 de junho, foi vítima de acidente de trânsito quando o veículo q ele trafegava, na Rodovia MS-156 entre Amambai a Tacuru, capotou durante uma tentativa de ultrapassagem. O engenheiro agrimensor estava internado no Hospital Vida na cidade douradense há mais de um mês. Durante este período, ele permaneceu boa parte na Unidade de Tratamento Intensivo, com diversas complicações de saúde por conta do acidente. Chegou a recuperar parte do seu estado físico, mas seu quadro de saúde se agravou novamente, o que ocasionou seu óbito.

Vave era filho de Ursina e Antônio Delgado, ambos de nacionalidade paraguaia que se radicaram em Amambai na década de 1960. Era casado com a comerciante Vera com quem teve três filhos – Rafhael, Karina e Marcelo. A origem fronteiriça, a história de vida dos pais, os valores herdados; tiveram forte marca na vida dos filhos, deste também, - quem sabe mais, pois sempre conviveu e morou junto aos pais - que muitas vezes foi incompreendido pela forma simples, mas não menos digna de viver.

Político, polêmico, desportista, bem-humorado, piadista, contador de histórias, parceiro, solidário, participativo. Estas são algumas das peculiaridades do amambaiense que deixa tristes e saudosos centenas de amigos.

Seu escritório, localizado na rua da Rua República, em Amambai, era um ponto de encontro. Um verdadeiro senadinho. Era lá que as informações eram atualizadas, era lá que os amigos se encontravam, principalmente aos finais da manhã, antes do almoço. O Tereré, a bebida gelada a base de erva-mate, típica da fronteira, sempre presente. Era ele o aglutinador, o pretexto para as rodas de prosa.

Queria saber de alguma notícia bem fresca? Vá ao Vave. Queria uma opinião sobre um fato da conjuntura? Vá ao Vave. Personalidade e autenticidade era o que não lhe faltavam. Influenciou com seu jeito peculiar uma geração de conterrâneos e forasteiros que adotaram Amambai. Nunca se omitiu de dar uma opinião, mesmo sendo controversa.

O esporte era uma paixão a parte na vida de Victor Delgado, claro, entre outras. O futebol tava no sangue, nas veias, no coração. Torcia pelo Palmeiras. Em tempos outrora, jogava futebol. Na atualidade, espectador, apreciador e corneteiro de peladas e campeonatos. Causava um furor nas partidas. Dava gosto de ver o Vave torcendo. Ele sofria; e nós nos divertíamos com ele.

No escritório do Vave, as conversas sobre futebol eram muitas. E esses encontros no senadinho geraram as sementes, os frutos e as árvores mais lindas e valorosas que uma pessoa pode deixar aos seus. A Associação Sociedade Esportiva Amambai é uma das heranças mais visível. Clube esportivo e social fundado em 2008 por ele e um grupo de amigos. Local de prática de esporte, de agregar amigos, de realizar eventos e de fazer e de marcar a história de Amambai. Veja aqui matéria no Amambai Notícias sobre o Clube Tereré. Veja mais no blog da Associação Sociedade Esportiva Tereré.

No mês passado, em 5 de julho, sendo mais fatalidade do que coincidência, faleceu o presidente e empresário do Tereré Clube, Paulo Manzeppe. Duas perdas lastimáveis para toda a cidade. Dois amigos, duas personalidades que deixam saudades.

Ficam as boas lembranças e a reflexão: Qual a repercussão que deixamos quando atravessamos a vida das outras pessoas? Vave deixa muitas; um legado de marcas, de exemplos, de ações e de causos, claro – contava um causo com maestria e estilo próprios -, em toda a cidade de Amambai. Victor Anibal Delgado faz parte dos anais da história amambaiense, com louvor e justiça.
 

“A infância a tivemos entre as pandorgas, as pescarias de bagre no pacinho, as rodas de pião, mas sobretudo nas corridas atrás da bola. De borracha, ou capotão, no baixadão da rua Duque de Caxias, onde eu morava. Ali, pertinho da marcenaria do seu Delgado, onde víamos os slides da travessia do Mar Vermelho. A saudade, então, é deste tamanho: dos melhores anos da vida. Dos puros anos de inocência. Nunca deixou de ser um guri. O mesmo de dantes. Palmeirense apaixonado, conversador desmedido. Amante incondicional da vida. Que se foi ... ai de nós, já sem ele. Deus te tenha, amado e justo BABICTOR, para sempre na memória da gente.”

— Nery da Costa Júnior

 


“Victor Aníbal Delgado, engenheiro agrimensor, formado na década de 1980, amigo verdadeiro de todos, sem distinção, altamente solidário, sempre ajudando os necessitados sem fazer alarde, precursor do time do Tereré desde os anos 80, uma turma de amigos por décadas jogando juntos, ele sempre como o amigo proeminente, não tinha tempo ruim, sempre achava uma solução. Uma frase dele: "amigo é irmão camarada, problemas um dia passa e só fica os verdadeiros amigos."

— Luiz Henrique Carvalho

 

“Adeus amigo Vavi! Estivemos juntos desde quando você chegou neste mundo e durante todo esse tempo você plantou em todos que te conheceram a semente da solidariedade do companheirismo e da liberdade e agora eu referencio a sua memória e te digo obrigado amigo! Muito obrigado e que em paz você descanse! O Vavi era dessas pessoas que chamamos de especiais, pessoas que igual ao Vavi sempre se antecipam no relacionamento da amizade, sempre disse o que o amigo precisava ouvir, se tivesse que chamar a atenção de um amigo, sempre no sentido de ajudá-lo, fazia-o sem muitas delongas. Eu tive o privilégio de tê-lo como amigo, verdadeiramente como amigo. Por ocasião do último encontro dos amambaienses, fiquei hospedado na casa deles. Uma tristeza enorme toma conta de todos nós, precisamos exercitar a partir de agora o exemplo que o Vavi nos deixa que é "amigo não tem defeito. Porã de luxo.”

— Orlando Silva dos Santos – Amigos há quase seis décadas


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