25/05/2018 às 16h00min - Atualizada em 25/05/2018 às 16h00min

Greve dos caminhoneiros continua em Amambai

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Caminhoneiros amambaienses afirmaram na manhã desta sexta-feira (25), que o movimento na Cidade Crepúsculo, a exemplo de outras localidades do Brasil, não concorda com o suposto acordo com o governo anunciado no fim da tarde dessa quinta-feira (24).

O acordo foi discutido numa reunião com 11 entidades que representam profissionais do setor no país e uma delas, que representa 700 mil caminhoneiros recusou a proposta.

Governo e representantes de caminhoneiros acordaram que a paralisação seria suspensa por 15 dias. Em troca, a Petrobras manteria a redução de 10% no valor do diesel nas refinarias por 30 dias enquanto o governo costura formas de reduzir os preços. A Petrobras também manteria o compromisso de custear esse desconto, estimado em R$ 350 milhões, nos primeiros 15 dias. Os próximos 15 dias seriam patrocinados pela União.

"A greve em Amambai continua, porque o que o governo fez foi uma manobra que deu errado"

— Renato Habitzreuter

"A greve em Amambai continua, porque o que o governo fez foi uma manobra que deu errado, eles reuniram alguns sindicatos que não representam a maioria da categoria e chegaram a essa solução, que nós não vamos acatar, assim como outros profissionais de estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará e outros", afirmou Renato Habitzreuter, uma das pessoas que está a frente da organização do movimento em Amambai.

Ele ainda afirma que durante o início da manhã de hoje (25), nenhum caminhão passou pelo bloqueio, sinal de que os outros movimentos grevistas da região também não aceitaram a proposta.

"Não aceitamos a proposta, mas continuamos no mesmo modus operante, caminhões carregados com cargas vivas e perecíveis, assim como ambulâncias, carros de passeio e ônibus, tem passagem liberada no nosso ponto de bloqueio", afirmou.

“A situação ultrapassou todos os limites do possível, de qualquer forma nosso setor ia parar, seja por greve ou pela falta de recursos"

— Cleverson Silva Mendes, proprietário de transportadora em Amambai

Cleverson Silva Mendes, proprietário de transportadora em Amambai está com 30 caminhões parados pelo Brasil e afirma que a alta no diesel é apenas um dos problemas enfrentados pela classe. "A situação ultrapassou todos os limites do possível, de qualquer forma nosso setor ia parar, seja por greve ou pela falta de recursos que estávamos enfrentando, nós não tínhamos outra opção e sabemos que vai surtir efeito seja daqui 10, 15 ou 30 dias (...) e o diesel é apenas um dos problemas, nós temos estradas precárias, temos uma segurança crítica e muita interferência do governo nos enfiando inúmeras taxações sem termos o mínimo de retorno", afirmou.

Movimento em Amambai

Iniciada em Amambai na tarde da terça-feira (22), a mobilização dos caminhoneiros continua e eles permanecem acampados na rodovia MS-386, no trecho que liga Amambai a Ponta Porã.
 

"Eu como caminhoneiro não posso ver meus companheiros pararem e eu não apoiar"

— Luiz Carlos Lins

Ao todo, de acordo com a organização, são cerca de 100 caminhoneiros que se revezam em turnos para estarem na rodovia. São profissionais de Amambai, região e também de outros estados, como Paraná e Santa Catarina.

Luiz Carlos Lins, catarinense e há 33 anos na estrada, participa do movimento em Amambai. Ele está com seu caminhão carregado com papel para reciclagem, que seria levado de Ponta Porã ao Paraná e decidiu paralisar para tornar ainda mais forte o movimento.

"Está tudo muito caro e nós não podemos aceitar isso, da mesma forma que eu como caminhoneiro não posso ver meus companheiros pararem e eu não apoiar, é a minha vida também e temos que lutar pelos nossos direitos", disse ele.

"É um dos momentos mais críticos que eu já vi nesses anos que estou na estrada"

— Luiz Klein

O amambaiense Luiz Klein também tem muito tempo de estrada. São 30 anos e segundo ele, nunca viu um momento tão crítico para a classe como o atual. "É um dos momentos mais críticos que eu já vi nesses anos que estou na estrada, por isso precisamos tentar minimizar essa situação (...) está difícil, tudo muito caro e sabemos que se nos unir, vai melhorar para todo mundo e se não haver união e as autoridades não ajudarem, muita gente vai ficar desempregada e passando fome.

Os caminhoneiros estão recebendo apoio de produtores rurais, comerciantes e população de Amambai, que estão oferecendo auxilio para alimentação dos manifestantes.


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