19/04/2018 às 16h02min - Atualizada em 19/04/2018 às 16h02min

"Amambai não aceita que um terço da sua população é indígena"

"Os órgãos públicos têm que entender que nós somos um povo com uma cultura diferente, com uma língua diferente, mas moramos no mesmo município

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Em entrevista concedida ao site amambai noticias e publicada no mesmo, o vereador de Amambai, Ismael Morel afirmou que a sociedade amambaiense tem dificuldade para compreender e aceitar que um terço da sua população, o que soma mais de 12 mil pessoas, é constituída por indígenas.
 

Segundo ele, o preconceito, mesmo que velado, ainda existe e prejudica os indígenas na busca por seus direitos. "Toda vez que um de nós sai em busca de seus direitos em relação a benfeitorias para a comunidade em que está inserido, a sociedade de fora, que não sabe o que nós vivemos, começa a falar coisas que não existem, dão vida a mitos que nos rodeiam e que nos desmerecem (...) essa falta de informação da população, que não sabe como vivemos, como lutamos, é o que mais nos prejudica", afirmou o vereador.

Para ele, o acesso a órgãos públicos, sejam eles municipais, estaduais ou federais, é uma das maiores dificuldades do povo indígena, o que contribui para que continuem às margens dos serviços.

"Os órgãos públicos têm que entender que nós somos um povo com uma cultura diferente, com uma língua diferente, mas moramos no mesmo município, estado ou país, então temos os mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão (...) se os órgãos públicos fizessem a parte deles, com certeza, muitos problemas que nós, das comunidades indígenas enfrentamos, seriam evitados".

Outra grande dificuldade enfrentada pelos indígenas do município, além do preconceito e da dificuldade de acesso aos órgãos públicos, é o déficit habitacional.

De acordo com Ismael, cerca de 30% da população indígena de Amambai, que corresponde a cerca de 3.600 pessoas, não tem moradia e vivendo debaixo de lonas ou em estruturas improvisadas. São homens, mulheres e crianças e idosos que vivem em péssimas condições de moradia, alojados em barracos de lona e sem saneamento básico. "Se nós tivéssemos o mesmo acesso que o não-índio tem, com certeza o cenário em que vivemos seria diferente".

 


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