09/03/2018 às 15h24min - Atualizada em 09/03/2018 às 15h24min

Condenado acusado de matar filho durante “roleta russa”

Julgamento que resultou na condenação do réu, durou 8 horas.

agazetanews/vilson nascimento
Vilson Nascimento

Foi submetido a júri popular perante o Tribunal do Júri e condenado a 23 anos e 6 meses de prisão essa semana em Amambai, José Ladi Vilhagra Barboza, de 34 anos, acusado de assassinar o próprio filho de 5 anos ao “brincar” de “roleta russa”.

O crime ocorreu em dezembro de 2014 na Vila Nova, em Coronel Sapucaia e chocou a comunidade local pela atitude do pai, que após balear o filho, teria pegado a criança nos braços, supostamente ainda viva, jogado em uma “grota” e após isso ter se dirigido a um bar para consumir bebida alcoólica como se nada tivesse ocorrido.

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, baseada nas provas levantadas pela investigação policial e confirmadas por testemunhas ouvidas no âmbito do processo, consta que depois de consumir bebida, José Ladi Vilhagra Barboza, o “Zé” como é conhecido, teria apanhado um revólver calibre 38 de sua propriedade, colocado uma munição no tambor e passado a praticar de “roleta russa”.

Em primeiro momento ele teria apontado a arma para sua enteada, uma adolescente na época com 16 anos, puxado o gatinho, mas a arma falhou. Em ato contínuo ele teria apontado o revólver para o próprio filho e novamente puxado o gatilho. Desta vez a arma disparou, vindo a acertar o menino no abdome, próximo ao peito, lado direito.

Depois de balear o filho, José Ladi teria enrolado o menino em um lençol, obrigado a enteada a limpar o sangue da criança que havia derramado na casa e a ameaçado de morte, caso ela viesse a contar o que havia ocorrido, e saido com o menino no colo para jogar na grota.

Logo após o acusado teria voltado para casa, tomado banho, trocado de roupa e seguido para um bar.

Durante o julgamento, José Ladi, que antes de assassinar o filho já tinha tido passagem pela polícia por receptação e porte ilegal de arma, crimes cometidos na capital do Estado, Campo Grande, negou ter atirado na criança em ato de roleta russa.  Ele disse que não havia percebido que havia ficado uma munição no tambor e ao limpar o revólver a arma veio a disparar e atingir seu filho, e também negou ter ameaçado a enteada e disse  que ao invés de prestar socorro ao filho, decidiu por se desfazer da criança jogando na grota porque teria ficado apavorado.

José Ladi, que na época dos fatos estava separado da mãe biológica da criança, porém sempre pegava o filho para passar tempos com ele na casa onde morava com outra companheira, ainda pode recorrer do resultado do julgamento.

Caso seja mantida a sentença atual, ele, que está preso desde a data do fato, ou seja, há três anos, terá que aguardar o resultado de um eventual recurso na prisão, após cumprir cerca de 9 anos em regime fechado (somando o tempo que já está preso), poderá progredir para o regime semiaberto.

Fonte: A Gazeta News
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