08/07/2017 às 19h59min - Atualizada em 08/07/2017 às 19h59min

A mentira na política

“a mentira política se instalou em nossos povos quase constitucionalmente e o dano moral tem sido incalculável, alcançando zonas muito profundas do nosso ser. Movemo-nos na mentira com naturalidade.” (Octávio Paz)
 
A mentira é um componente que faz parte da vida de alguns políticos e, com as raras exceções de sempre, tal conceito já se incorporou na definição que o povo faz de seus representantes, mas que ele mesmo se encarrega de dar-lhes um mandato.
 
Por aqui, às vezes, um político mentiroso, quase sempre, é um vencedor, pois a mentira bem elaborada, maquiada de verdade e com promessas impossíveis, deixa o candidato em busca de votos com cara de um transformista, desses que fazem shows em boates dublando um famoso qualquer.
 
Mentira de político brasileiro para enganar eleitores é louvada e considerada uma malandragem bem nossa, como aquela malemolência de um Pedro Malasartes, que exige não a postura de um cidadão que busca ser representante do povo por meios ortodoxos, mas por meio de uma representação teatral – ‘fulano pedindo votos é um artista’ – dizem os eleitores reconhecendo o poder de sedução do candidato.
 
Estabelecido esse link de empatia do político com o eleitor, a mentira torna-se o elemento que credita ao candidato até mesmo a intimidade ‘do tapinha nas costas’ e do tratamento de ‘companheiro’.
O fato de que muitos políticos de sucesso são mentirosos, não é exclusivamente reflexo da classe política, é também um reflexo do eleitorado.

Quando as pessoas querem o impossível somente os mentirosos podem satisfazê-las, e unicamente à curto prazo. A atual série de revoltas mostra o que acontece quando a verdade afronta tanto os políticos quanto as pessoas no longo prazo.

Nada é mais fácil para um político do que prometer benefícios governamentais que não podem ser entregues.
O político brasileiro segue a filosofia de vida de Pedro Malasartes, este caminhando sobre um fio de navalha, uma linha imaginária onde ele se equilibra na fronteira da marginalidade com a imunidade parlamentar.

Conquistar este privilégio é chegar ao poder que não tem preço, já que o mandato lhe permite usufruir da imunidade dos “incomuns” acrescentando a ela a mesma impunidade que o porco Napoleão estabeleceu como regra na Revolução dos Bichos, na qual George Orwell soube documentar a mentira dos “revolucionários” numa obra ficcional cada vez mais atual.
 
Nossa política está chafurdada como na fazenda do sr. Jones, o humano derrotado na revolução e que teve a sede da propriedade tomada pelos porcos.
 
Ghandi dizia que “a verdade é dura como o diamante”. Mas mentira é mole como um toucinho, a matéria-prima dos suínos.
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