27/10/2021 às 11h41min - Atualizada em 27/10/2021 às 11h41min

Pimenta do Reino XLIX

‘UNIÃO BRASIL’: Um partido da conveniência? Uma espécie de fruto de inseminação artificial?  Para questionar sua bandeira basta analisar o currículo de seus principais personagens nacionais. Aqui, a futura sigla não tem empolgado, há dificuldades na atração de lideranças. A deputada Rose Modesto (PSDB) não se entusiasmou com o convite.

 

LEMBRANDO… É difícil viabilizar uma nova sigla devido as características políticas do Mato Grosso do Sul. Aliás, na década de 80, investidos em mandatos parlamentares, Leite Schimdt e Rubem Figueiró tentaram sem sucesso implantar o PP. Em 1982 houve mudanças na lei eleitoral pelo presidente João Figueiredo e o PP foi incorporado ao MDB.

 

DR ULYSSES: ‘Lá em cima’ decepcionado com os ‘paladinos’ da moral do MDB. Na extensa lista, duas lideranças regionais: o ex-prefeito de Maracaju Maurílio Azambuja (de tornozeleira/denunciado por irregularidades) e do ex-governador Puccinelli, sofrendo nova derrota no Judiciário federal.  Pior do que as sentenças é o veredito soberano da opinião pública.

 

PREVISÕES: Pela postura do senador Renan Calheiros na CPI da Vacina, parte do MDB ficará com Lula. Há também emedebistas se agrupando em torno de Bolsonaro; quem delire com a candidatura própria e aqueles que apostam na terceira via. Políticos profissionais experientes, eles devem esperar a hora certa para fazer um bom negócio.

 

ARTHUR VIRGÍLIO: Tem currículo, impressionou. É bom debatedor. Diplomata de carreira (Instituto Rio Branco), prefeito de Manaus e deputado federal por 3 mandatos cada, senador, líder do Governo FHC na Câmara e seu ministro, coordenou as campanhas presidenciais de Tancredo Neves e Mario Covas. Frase dele na coletiva em Campo Grande: “Num país onde tem democracia não há fome, não falta comida”.

 

CANSAÇO: “…São muitas as razões para estarmos cansados. Na política então, estamos a ponto de ter de volta a gangue do PT porque a gangue bolsonarista parece pior agora. O Brasil vive seu ocaso político: a classe política é um lixo, a elite sempre oportunista com pitadas de solidariedade gourmet, o pensamento orgânico do PT se prepara para retomar sua hegemonia na máquina de produção de conteúdo…” (Luiz Felipe Pondé)

 

IMPROVÁVEL: Após a CPI assim é avaliada a chance de condenação imediata ou impeachment do presidente Bolsonaro. Tem a seu favor o procurador geral Augusto Aras e presidente da Câmara Artur Lira. Mas sem mandato, alguns destes casos desceriam para instâncias inferiores – onde promotores e magistrados revoltados com o destino da Lava Jato poderiam mudar o quadro.

 

ELEIÇÕES 2022:  Por essa exposição sintetizada o leitor já entendeu a importância  para Bolsonaro se reeleger. Sem mandato perde a blindagem, perde o cacife das barganhas.  No Brasil é assim. Afinal, dos 512 deputados federais ele precisa de 342 para impedir que o pedido de impeachment prospere na Câmara. Muito? Pouco? Depende…

 

ERRARAM… Os ex-presidentes Collor de Mello (PRN) e Dilma Roussef (PT) jogaram equivocamente e perderam o cargo. Vale citar o caso do ex-prefeito Alcides Bernal (PP)  de Campo Grande. Não teve o senso político (jogo de cintura) nas relações com a Câmara Municipal. E deu no que deu. Política exige algo mais que prestígio: habilidade.

 

 

DESGASTA?  Claro, a resposta depende da ótica de análise. Por quais razões os deputados Bia Cavassa (PSDB), Luiz Ovando (PSL) e Vander Loubet (PT) votaram a favor do projeto que enfraqueceria o Ministério Público? Um tema tão debatido antes na mídia  e que ganha o mesmo espaço após a derrota da proposta.  Quanto aos nossos outros 5 parlamentares (contra o projeto) se livraram de um baita desgaste.

 

SALVAÇÃO:  Para as siglas nanicas a ‘Federação dos Partidos’ seria a saída jurídica para fugir do castigo imposto pela clausula de barreira. Sem grana do Fundo Partidário e tempo na TV, caminhariam para a extinção. Embora unidos, esses partidos menores conseguirão manter suas identidades próprias. É diferente das coligações temporárias que só duram até as eleições.

 

LINHAS GERAIS:  Essa união de nanicos não ficará restrita só a uma eleição. Precisa durar por no mínimo 4 anos, englobando a eleição presidencial, as candidaturas estaduais e as atuações na Câmara e Senado. Na pratica será difícil manter a fidelidade e a mesma posição diante dos conflitos de interesses nas bases.  Proibido ser parceiro na Assembleia, Câmara, Senado e adversário no município. Aí é que serão elas!

 

CONVENHAMOS!  Impressiona a criatividade dos nossos congressistas em encontrar soluções para problemas que possam afetá-los. É o tal corporativismo onde as diferenças partidárias e pessoais são colocadas temporariamente de lado. Quando você pensa que  poderiam se regenerarem, eles retomam as velhas práticas do vale tudo. ‘Meu pirão – primeiro’.

 

A FATURA: Foram R$2,3 bilhões a mais que o MS arrecadou com impostos entre janeiro e setembro. De R$9,6 bilhões em 2020 para R$11,9 bilhões; ou seja, 24% de aumento em 2021.  O ICMS foi o responsável por 84,31% de todos os tributos neste período – com crescimento de 26,93% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

JUSTIFICATIVA: Com a crise do Covid as pessoas não gastaram e o consumo de bens caiu. A retomada da economia em 2021e a explosão de preços do petróleo no mundo aumentaram a arrecadação do ICMS em mais de 30%. Nesta mesma esteira veio a fatura a maior (14,87%) da energia elétrica. Enfim, essa crise sanitária acabou engordando os cofres dos Estados.

 

NOVOS TEMPOS: Quando foi que você emitiu ou recebeu o último cheque?  Cheque virou raridade. Os cartões de débito/crédito, as transferências eletrônicas e o PIX ajudam a diminuir o uso dos cheques. Outra consequência: aqueles que faturam descontando os cheques recebidos pelo comércio – antecipando a grana dos ‘pré-datados’ – tiveram o movimento reduzido.

 

E a pergunta da hora: será que mantida a polarização Bolsonaro e Lula em 2022, o atual presidente repetiria os 872.049 votos (65,22%) obtidos no MS contra Fernando Haddad (PT) (465.025 votos) 34,78%?

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