27/09/2021 às 11h22min - Atualizada em 27/09/2021 às 11h22min

DEM decide, por unanimidade, dar o pontapé inicial para fusão com PSL

Uma nova agremiação para abrigar pensamentos de direita está surgindo no Brasil. Um novo partido nascerá da fusão entre o DEM e o PSL. As duas forças já  vêm caminhando de mãos dadas desde 2018, na campanha de Jair Bolsonaro para a presidência. Hoje, contudo, parecem não estar tão satisfeitas com o governante que ajudaram a eleger. Buscam desgarrar-se da relação de dependência e construir uma solução própria, na tentativa de driblar a polarização entre Bolsonarto e Lula (PT) para desembarcar com um nome como terceira via na sucessão presidencial.

Na terça-feira, 21 de setembro de 2021, a Executiva Nacional do DEM deu o primeiro passo para a fusão com o PSL, com 40 votos favoráveis e nenhum contrário. Participaram do encontro líderes nacionais do Democratas, entre eles o presidente da sigla, ACM Neto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (MS), um dos nomes da lista de presidenciáveis que vêm sendo citados pelos institutos de pesquisa.

A fusão está sendo trabalhada e avança em vários estados. Em Mato Grosso do Sul, ainda não se sabe como ficará a composição desse bloco, principalmente no que se refere à sua organicidade. Comenta-se que a  senadora Soraya Thronicke (PSL) estaria indicada para presidir a nova legenda no Estado. Contudo, ela ainda é uma estreante - está no primeiro mandato, embora seja em Mato Grosso do Sul, dos dois partidos que se fundirão, a detentora do mais alto cargo de representação política.

Ocorre que as lideranças mais experientes pertencem ao DEM. São elas: o vice-governador Murilo Zauith, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o deputado estadual Zé Teixeira. Não há como imaginar a convivência ou a disciplina interna de um partido com esses nomes e respectivas credenciais, subordinados ao comando de uma personagem que, independentemente de suas qualidades pessoais, ainda é novata em ramo tão complexo e desafiador. 

Nenhum desses quatro, em tese, estaria em condição inferior à senadora quanto à capacidade e à credibilidade para comandar uma organização partidária que vai estrear no cenário político. E o fato de ser um recém-chegado impõe ao sucedâneo do DEM e do PSL que compense sua tenra idade com doses efetivas de experiência, trânsito e conhecimento de terreno para articulações estratégicas. 

Com dois nomes nacionais de peso - Mandetta e Tereza Cristina -,  o DEM naturalmente reivindicaria ou exigiria o comando da nova sigla. Alem da senadora Soraya Thronicke, o PSL, identificado ainda como força bolsonarista, elegeu em Mato Grosso do Sul dois deputados federais (Luiz Ovando e Tio Trutis) e dois deputados estaduais (Coronel David, que atualmente está sem partido, e Capitão Contar). Na correlação de forças, entretanto, o DEM leva ampla vantagem. 

Resta saber quais os critérios que irão prevalecer para que se defina quem vai liderar o rebento de direita que está sendo gerado no ventre do DEM e PSL. Até lá, as imaginações que se exercitem projetando como será, por exemplo, um Zé Teixeira de sete mandatos, 81 anos, 1º secretário da Assembleia Legislativa e dirigente partidário de partidos como PFL e DEM, obedecendo disciplinadamente à batuta de uma marinheira de primeira viagem: a senadora Soraya tem 48 anos, mas este é o primeiro mandato eletivo que exerce.

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